
RISCOS DE VIDA – EPISÓDIO 01
Julho 11, 2023A ÚNICA VIDA CAPÍTULO 01
Agosto 8, 2023CENA 001. CARRO. BANCO DE MOTORISTA. INTERIOR. DIA/MANHÃ
Dentro do carro, Nicolas conversa com Solana sobre seu estado de saúde.
Nicolas – Mãe há quanto tempo a senhora não faz um checape?
Solana – Ah meu filho faz um dois anos.
Nicolas – Que isso mãe, você não pode se descuidar dessa maneira. Sabe que se depender do meu pai, a senhora ficaria mofando em casa. Nunca vi um homem velho daquele ter medo de injeção.
Solana – O seu pai e eu estamos trabalhando muito e temos pouco tenho tempo para cuidar do seu irmão, e quando tenho, é para ensinar o dever de casa e pondo ele para dormir. Sabe como o Breno é né? Viciado em vídeo game.
Nicolas – E a Miriam? Ela não pode cuidar do Breno não?
Solana – Ela trabalha comigo e me ajuda a comprar os insumos para o sítio.
Nicolas – Que bom que a Miriam esteja trabalhando, só assim para ocupar um pouco a mente dela.
Solana – E vocês? Quando chegaram a algum entendimento?
Nicolas – Quando ela se tornar uma mulher madura.
Nicolas chega ao Hospital San Marino e Solana pergunta:
Solana – O que eu estou fazendo aqui?
Nicolas – Irei encaminhar um checape completo para senhora. Você precisa fazer exames e urgentemente.
Solana – Meu filho não precisa […].
Nicolas – Precisa sim, eu não quero ver a senhora doente em hipótese alguma.
Nicolas abre a porta e Solana se retira do carro. O enfermeiro e sua mãe entram no hospital e é recepcionada por Érica:
Nicolas – Essa é a recepcionista Érica, marque o médico, é o que te peço mãe.
Solana – Mas meu filho […].
Nicolas – Sem mais e marque o médico.
Nicolas se retira e Érica pergunta:
Érica – Bom dia, o que a senhora deseja?
Solana e Érica conversam em off e a câmera se afasta.
CENA 002. HOSPITAL SAN MARINO. SALA DOS ENFERMEIROS. INTERIOR. DIA/MANHÃ
Amanda assina as atas de atendimento e Nicolas entra na sala dos enfermeiros e pergunta:
Nicolas – O que faz tão cedo aqui amor?
Amanda – Fui convocada para atender dezessete crianças na ala pediátrica.
Nicolas – Ué, mas você não estava em treinamento para ser uma cirurgiã?
Amanda – Quer que eu seja sincera?
Nicolas – Sim, claro. Sou todo a ouvidos.
Amanda – Eu pedi para Leandro me retirar da ata de cirurgias.
Nicolas – Porque você fez isso Amanda? Esse não era o teu sonho?
Amanda – Era o meu sonho até ver a carga de trabalho da Regiane. A coitada saiu daqui agora às seis da manhã e acabada. Não tem vida própria e fica direto de plantão.
Nicolas – Mas amor não deixe o medo atrapalhar os seus sonhos. Agora nos quarenta e cinco minutos do segundo tempo vai se dedicar a pediatria.
Amanda – Nicolas entenda, eu sou formada nessa área. Meu sonho sempre foi cuidar das crianças. Agora mais do que nunca, essas crianças precisam dos meus cuidados.
Nicolas – Se você acha viável mudar os seus planos, estou aqui para te apoiar.
Amanda – É por isso que te amo você sempre me apoia em tudo e está do meu lado.
Amanda e Nicolas se beijam e Leandro interrompe o momento:
Leandro – Opa, aqui não é lugar e nem horário pra isso.
Amanda – Desculpe! Amor estou de saída, com licença.
Leandro vê Amanda sair e debocha de Nicolas:
Leandro – E o senhor? Tem algo a dizer?
Nicolas – Tenho nada a dize, tenha um bom dia.
Nicolas dá um tapinha no ombro de Leandro e deixa a sala dos enfermeiros.
CENA 003. CASA DE SÁUDE PROMED. CORREDOR. INTERIOR. DIA/MANHÃ
Sulamita conversa com Soraia sobre os protocolos da Promed e a enfermeira questiona:
Sulamita – Aqui os protocolos são bem sólidos quanto do San Marino […].
Soraia – Mas porque essa solidez nos protocolos médicos? Não acha meio exagerado? Praticamente são concorrentes ao hospital.
Sulamita – Criamos essa solidez porque aqui é uma casa de saúde do convênio criado por Vitória. A Promed pertence a ela, assim como outros escritórios que pertence ao portfólio dela.
Soraia – Nossa, eu conhecia a Vitória apenas como uma grande cardiologista. Não sabia que era tão poderosa assim.
Sulamita – Minha filha guardou muito dinheiro em todo esse tempo. Investiu e teve o retorno além do esperado. A Promed é uma extensão do Hospital San Marino, por isso que não tem concorrência.
Soraia – Ah entendi. Bom aqui é muito bem equiparado perto do hospital.
Sulamita – Compramos esses equipamentos recentemente antes da Vitória assumir a presidência do San Marino.
Soraia – Ah! Que bom. Então, quando eu começo o meu turno?
Sulamita – Daqui a duas horas. Vou pedir para atualizarem a escala no sistema, com licença.
Sulamita sobe para o escritório e Soraia recebe chamada de vídeo de Leandro.
Soraia – Fala Leandro, como anda as coisas por ai?
Leandro – Andam normais e pelo visto, você está tensa ai no Promed.
Soraia – Os protocolos daqui são muito estranho, rigorosos demais.
Leandro – Ah mais ai é uma casa de saúde do convênio particular, muito óbvio os protocolos serem rígidos.
Soraia – Sei não viu? Esse lugar tem uma vibe bem estranha. Vou desligar antes que Sulamita me veja conversando contigo.
Leandro – Bom trabalho!
Soraia – Igualmente.
Soraia encerra a chamada de vídeo e continua caminhando no corredor. A enfermeira olha pela fresta da porta, pacientes em tratamento alternativo do câncer e se espanta.
CENA 004. HOSPITAL SAN MARINO. PÁTIO. INTERIOR. DIA/MANHÃ
Vitória sobe ao palanque e reúne todos os funcionários no pátio e inicia o discurso.
Vitória – Bom dia funcionários do Hospital San Marino.
Funcionários – Bom dia senhora Vitória [Em coro].
Vitória – Infelizmente estou aqui para anunciar cortes no quadro de funcionários e algumas mudanças para adaptarmos a nossa realidade atual […].
No banco, Renato cochicha com Rebeca:
Renato – Eita porra é hoje que as cabeças vão rolar.
Rebeca – A cabeça já está rolando há muito tempo. Se a dona Vitória me dispensar, eu nem fico surpresa.
Renato – Não fale isso nem brincando! O San Marino não poder perder uma belíssima socorrista.
Rebeca – Deveria falar isso para sua amiga Soraia que me afastou e fui protocolada na direção por erro médico.
Renato – Tenha calma, tudo vai dar certo.
Renato segura a mão de Rebeca e Vitória continua o discurso:
Vitória – Estamos atravessando a pior crise dos últimos vinte sete anos. Eu, Vitória Bezerra, contratei uma equipe especializada de contabilidade e apuramos uma dívida de nove bilhões […].
Perto da porta, Nicolas se espanta e Amanda responde:
Nicolas – Caralho! Como deixaram essa dívida crescer?
Amanda – Não tenho a menor ideia, mas estou espantada.
Nicolas – Tem dedo do outro ai nessa dívida.
Amanda – Não começa hein? Chega de encrenca.
Nicolas volta a prestar atenção na reunião e Amanda se aproxima Susana. No palanque, Vitória anuncia cortes:
Vitória – Embora dívida tenha surgido durante a minha transição para presidente e não temos receita o suficiente para pagar os funcionários, a partir da próxima segunda, metade dos enfermeiros serão dispensados. Não se preocupem, pois a maioria já está sendo recolocados no mercado.
Os enfermeiros começam a reclamar e Vitória continua:
Vitória – Além da diminuição de enfermeiros, a nossa lanchonete sofrerá cortes. De quinze cozinheiras, seis estarão à disposição e serão dividas por turnos, assim como as garçonetes e chapeiras. A área da limpeza será terceirizada por uma empresa especializada. As faxineiras que trabalhavam aqui serão desligadas nesta segunda-feira. E o mapa do hospital será atualizado em breve. Esse serão os cortes e tenham um bom dia.
Os enfermeiros deixam o pátio revoltados e Vitória olha com tristeza toda a situação.
CENA 005. HOSPITAL SAN MARINO. CORREDOR. INTERIOR. DIA/MANHÃ
Susana comenta com Leandro sobre a reunião de funcionários:
Susana – Isso só pode ser um pesadelo e faça um pezinho de meia para quando for desligado daqui.
Leandro – Susana você precisa ter calma e tenho certeza que esse papo de recolocar no mercado é furada. Sabemos perfeitamente que esses enfermeiros serão contratados pela Promed.
Susana – E porque você acha isso?
Leandro – Pense bem, a Promed é bem equiparada, não fazem gastos altíssimos e tem uma excelente reputação na área da saúde. A dona Vitória vai recolocar no mercado para ela e dona Sulamita contrata-los pra lá.
Susana – Sei não viu? É muito arriscado ela fazer isso e não arriscaria o cargo de presidente com tão pouco.
Leandro – Você ainda não se ligou? A Promed e San Marino pertencem ao mesmo grupo, por isso não tem concorrência. Tanto é que o plano de saúde também tem uma clínica particular e conta com dona Vitória como proprietária. Porque você acha que ela credenciou a Promed aqui?
Susana – Nossa quanta coincidência e marketing. Não esperava que o San Marino e a Promed fosse difundidas.
Leandro – Não são difundidas, tanto é que a dívida daqui não interfere em nada a Promed.
Susana – Entendi, enfim, vou retornar aos trabalhos. Daqui a pouco o doutor Rodolfo aparece aqui igual o dragão de São Jorge cuspindo fogo.
Leandro – Vai lá e tenha um bom trabalho.
Susana – Igualmente querido.
Susana deixa a sala e Leandro recebe mensagem de Soraia:
Leandro – Mensagem de Soraia? O que será?
Ao abrir a mensagem, Leandro se depara com foto de tratamento alternativo de câncer na Promed e diz sozinho:
Leandro – Isso não pode ser possível.
Chocado, o enfermeiro troca mensagens com a colega de trabalho.
CENA 006. MANSÃO VASCONCELOS VIDAL. SALA. INTERIOR. DIA/MANHÃ
Ao entrar na mansão, Anália estranha ao vê Vitória cabisbaixa e pergunta:
Anália – O que houve Vitória? Está cabisbaixa e aparentemente triste.
Vitória – Sabe quando sentimos aquele sentimento ruim? E deixamos o dominar? Então é isso que eu sinto ao descobrir que o Hospital San Marino está com uma dívida de nove bilhões.
Anália – Como é? Nove bilhões? Conte-me isso Vitória, não é possível a dívida ser maior que a receita líquida. Não existe isso, o hospital nunca teve uma dívida muito alta e sempre equilibramos as contas.
Vitória – A dívida foi apurada pela empresa de contabilidade, a mesma que eu contratei para fazer os serviços para a Promed e acharam nove saques de nove bilhões das contas do hospital.
Anália – Que estranho isso, o Rodolfo era o VP de Finanças e não me disse nada sobre esses saques irregulares.
Vitória – É bem estranho, mas enfim, vou descansar um pouco e esfriar minha cabeça.
Anália – Vai lá, qualquer coisa é só me chamar.
Vitória – Pode deixar!
Anália volta a ler o jornal na sala. Vitória sobe as escadas e caminha até o terraço do quarto da cobertura e se depara com Rodolfo sozinho e o cirurgião ironiza:
Rodolfo – Olha só… A maior cardiologista de Santa Catarina, aliás, do país voltou para a casa cedo. Que foi? Sentiu o peso do fardo de ser presidente de um dos maiores hospitais?
Vitória – Tenho certeza que tem dedo seu nessa história.
Rodolfo – Já está confabulando coisas? Jogando a culpa no meu colo? [Debocha].
Vitória – Não estou inventando coisas, a sua mãe acabou de confirmar que você era VP de Finanças e deveria ter no mínimo o conhecido das dívidas.
Rodolfo – Eu era VP e não o responsável pelo departamento inteiro. E tem mais, para você que é formada em administração, porque contratou uma empresa especializada em finanças?
Vitória – Não te interessa o porque contratei, o que importa é que seu descobri que você está por trás dessa sabotagem contra a minha gestão, pode ter certeza que farei sua carreirinha de cirurgião num piscar de olhos. Com licença.
Vitória se retira do terraço e Rodolfo desdenha sozinho.
Rodolfo – Será que vai acabar mesmo?
Rodolfo tira um gravador do seu bolso e diz:
Rodolfo – Essa negrinha está se achando a poderosa? Está fudida nas minhas mãos.
Rodolfo ouve a gravação e ri sozinho.
CENA 007. HOSPITAL SAN MARINO. ALA INFANTIL. INTERIOR. DIA/MANHÃ
Amanda conversa com Ricardo sobre a falta de investimento da ala infantil:
Amanda – O hospital poderia voltar a investir nesse ala infantil. Já vi tantas crianças morrerem por falta de insumos.
Ricardo – A nossa situação está alarmante, então, investir nesse momento é arriscado.
Amanda – É uma pena a Dona Vitória pegar o hospital nesta situação.
Ricardo – Essas dívidas estão muito mal explicadas. Esse montante não pode superar o lucro líquido isso é decretar falência.
Amanda – Não entendo nada de finanças, estou por fora! A única coisa que eu quero é receber meu salário.
Ricardo recebe um chamado de doutora Mirtes e diz:
Ricardo – Eu tenho que ir, a doutora Mirtes está me chamando.
Amanda cumprimenta Ricardo e o neurocirurgião corre no corredor do hospital. Ao chegar à porta do quarto, Ricardo entrega a pasta:
Ricardo – Aqui está a pasta que você me pediu.
Mirtes – Muito obrigada doutor. Com licença.
Ricardo caminha no corredor e Mirtes entra no quarto. Solana pergunta:
Solana – Eu estou bem doutora?
Mirtes abre a pasta e responde:
Mirtes – Dona Solana, não quis dar essa notícia ruim para a senhora, mas você foi diagnosticada com leucemia. E em decorrência com os usos de remédios irregulares, o seu organismo está fragilizado.
Solana fica sem reação e uma lágrima cai do seu olho.
Fim do episódio 02