DIAS FELIZES – CAPÍTULO 8
Julho 9, 2023
RISCOS DE VIDA – EPISÓDIO 02
Julho 11, 2023CENA 001. PONTE HERCÍLIO LUZ. AMBULÂNCIA. INTERIOR. DIA/TARDE
INTRODUÇÃO: O motorista liga a sirene da ambulância e os carros abre espaço na Ponte Hercílio Cruz. Na parte traseira, Rebeca tenta controlar a crise convulsiva do paciente e responde a Soraia.
Rebeca – Soraia me ajude com esse rapaz! Ele está com a pressão caindo devido essa crise convulsiva.
Soraia – O que você aplicou na veia desse rapaz?
Rebeca – Tive que colocar morfina, eu achava que ele estava tendo outra coisa.
Soraia – Ficou doida? Não pode dar qualquer remédio para o paciente?
Rebeca – Eu não sabia onde estava o Gadernal de quarenta miligramas […].
Soraia procura em seu nécessaire o diazepam e aplica a injeção no acesso do paciente com o remédio e diz:
Soraia – Agora é esperar que o remédio faça efeito e que paciente não venha a óbito.
Rebeca abaixa a cabeça sem direito de resposta. Ao chegar no Hospital San Marino, Soraia abre a porta da traseira da ambulância junto com a equipe médica e Rebeca deixa o prontuário do paciente na recepção. A maca com o paciente é levado para a sala amarela. Entrando na sala dos médicos residentes, Amanda comenta:
Amanda – O hospital está um Deus no acuda.
Susana – Porque está dizendo isso? Nem parece que conhece a nossa rotina.
Amanda – Mas hoje está fora do normal. A Soraia acabou de levar um paciente para a sala amarela. Pelo visto, o estado é instável.
Susana – Então o negócio está bem feito para ir a sala amarela.
Nicolas entra na sala e responde a colega:
Nicolas – O rapaz teve uma crise convulsiva, não é nada demais para a gente se preocupar.
Amanda – Susana pode dar uma licencinha? Preciso conversar com o Nicolas.
Susana – Ok, mas não se matem!
Susana deixa a sala e Amanda rebate Nicolas:
Amanda – Como pode ser tão frio assim? Chegar aqui e dizer que o paciente tem convulsão e afirma que não é nada demais?
Nicolas – Querida Amanda, quando a pessoa tem crise epilética ou convulsiva, seja como for, precisa agendar uma consulta para saber se tomará remédio de uso continuo e pelo visto, esse paciente nunca procurou um acompanhamento médico.
Amanda – E como você sabe que ele não tem acompanhamento médico? Sabe da vida dele?
Nicolas – Pesquisei o número da ficha do paciente no sistema operacional do hospital e a mãe dele conversou comigo e disse que ele nunca foi ao médico e não tomava o Fenobarbital regularmente. A gente fez uma campanha recente no hospital, mas parece que esse povo pouco se importa.
Amanda – Embora você tenha corrido atrás de informações, não seja acido, tenha amor às vidas. O seu juramento vale mais que o seu sadismo. Com licença!
Amanda se retira da sala e Nicolas diz sozinho:
Nicolas – É, foi promovida ontem agora paga de patroa. [Risos]
Nicolas tira o celular do bolso, se joga no sofá e entra no aplicativo de mensagens instantâneas e conversa com amigos da balada.
CENA 002. HOSPITAL SAN MARINO. SALA DE REUNIÃO. INTERIOR. DIA/TARDE
Com todos os acionistas presentes, Anália inicia a reunião presidencial:
Anália – Bom dia acionistas! Essa reunião foi marcada para debatermos o assunto quanto à presidência do Hospital San Marino. Num voto unânime entre os colaboradores, Vitória foi escolhida para assumir este cargo.
Rodolfo – Dona Vitória posso te fazer uma pergunta?
Vitória – Pode sim, prossiga!
Rodolfo – Você realmente está interessada de assumir o San Marino? Como todos sabem, o hospital tem faltado insumos e temos dificuldades de acertar um acordo vantajoso com algum plano de saúde […].
Anália interrompe e diz:
Anália – Doutor Rodolfo, essa pauta iremos debater depois.
Rodolfo – Depois? Até quando iremos deixar de pautarmos esse assunto? Estou no hospital há doze anos, já passamos por uma terrível crise e o que nos falta é um amparo do município de Santa Catarina e dos consórcios.
Os acionistas concordam com Rodolfo e Vitória rebate:
Vitória – Doutor Rodolfo, sim eu tenho interesse em assumir a presidência do Hospital San Marino. Fui criada pela família Vidal que detém cinquenta por cento das ações deste lugar no mercado. E sobre a falta de insumos, tenho um planejamento eficaz e menos custoso. Se o doutor e todos não sabem, sou dona da Promed, um dos planos de saúde que tem mais de sete milhões de beneficiários. Sendo eu a presidente do hospital, irei fazer o possível para manter a ordem.
Todos os acionistas aplaudem o discurso de Vitória e Rodolfo sussurra:
Rodolfo – Quero só ver se vai manter a ordem.
Do outro lado, Anália encerra a reunião:
Anália – A reunião está encerrada. Parabéns Vitória pela conquista!
Vitória – Eu que tenho agradecer a senhora pela oportunidade.
Sulamita entra na sala de reuniões e comemora:
Sulamita – Parabéns filha! Fico muito feliz por ter conquistado o posto de presidente.
Vitória – Obrigada mãe, se não fosse você e a senhora Anália, eu não estaria aqui.
Vitória, Sulamita e Anália deixam a sala de reuniões e conversam no corredor.
CENA 003. HOSPITAL SAN MARINO. REFEITÓRIO. INTERIOR. DIA/TARDE
Gutemberg deixa a lanchonete e comenta sobre a promoção de Vitória com Regiane:
Gutemberg – Está sabendo da novidade Regiane?
Regiane – Não acredito que deixou a chapa para fazer fofocas […].
Gutemberg – Mas essa fofoca é boa!
Regiane – Diga-me qual é a fofoca do momento?
Gutemberg – Dona Vitória Bezerra é a nova presidente do Hospital San Marino.
Regiane se engasga com o suco e Gutemberg pergunta:
Gutemberg – O que houve para ficar nervosa?
Regiane – Essa dona Vitória, segundo dizem, é um cão em pessoa.
Gutemberg – Estranho que ela sempre foi tranquila com todos daqui.
Regiane – Ah meu filho, tudo é flores quando a pessoa quer votos, quando assume o cargo é outra história. Agora com a saída de Anália, o hospital sofrerá com ondas de demissões.
Gutemberg – Mas o hospital não está em crise, a Dona Anália deixou a presidência com todas as contas pagas.
Regiane – Nem parece que você trabalha aqui há anos Guto. Já tivemos um entre e sai de presidente do hospital e vive entrando em colapso financeiro, não sei o que eles fazem.
Gutemberg – Acredito eu que dessa vez, tudo vai ser diferente.
Regiane – Assim eu espero!
Regiane volta a lanchar e Gustavo repreende Gutemberg:
Gustavo – O que faz aqui ao invés de trabalhar? Está cheio de clientes no balcão.
Gutemberg – Estava aqui conversando com a Regiane. Vou retornar o trabalho. Até mais.
Gutemberg segue até o balcão e Gustavo diz:
Gustavo – Regiane, a doutora Soraia precisa da sua ajuda. Um rapaz teve convulsão e precisa de um acompanhamento.
Regiane – A Rebeca deveria estar responsável pelo paciente. Fui escalada para uma cirurgia para daqui a duas horas, não dá tempo.
Gustavo – Eu te cubro, fique tranquila. Vai lá cuidar do rapaz!
Regiane deixa o refeitório e Gustavo segue a cirurgiã.
CENA 004. HOSPITAL SAN MARINO. SALA DA PRESIDÊNCIA. INTERIOR. DIA/TARDE
Na sala da presidência, Sulamita questiona a nova rotina de Vitória como presidente do hospital:
Sulamita – Minha filha estou muito preocupada com a sua rotina daqui para frente.
Vitória – Porque essa preocupação? Você sempre quis que eu fosse promovida a presidência do hospital.
Sulamita – Agora tenho outra visão quanto a isso. Você é casada e aproveitará pouquíssimo tempo com o seu marido.
Vitória – Ah por isso que está preocupada? Mãe, o Carlos segue ocupado cuidando dos angolanos no hospital de campanha. Já doou um real para o povo carente de lá?
Sulamita – Faço isso toda semana. Falando no Carlos, ele voltará quando ao Brasil?
Vitória – Dentro de alguns dias. Irei o aguardar no meu apartamento.
Sulamita – Que ótimo! Filha irei me retirar para não te atrapalhar com os trabalhos. Vou a Promed para ver como anda as coisas por lá.
Vitória – Vai lá mãe!
Sulamita beija a testa de Vitória e deixa a sala. A nova presidente do hospital recebe uma chamada de vídeo de Carlos e atende:
Vitória – Meu amor, tu não morre tão cedo, minha mãe acabou de falar de você.
Carlos – Ora, falasse bem ou mal?
Vitória – Ela está preocupada com o nosso casamento. Assumi a presidência hoje e a rotina promete ser puxada.
Carlos – Entendo! Dentro de alguns dias estarei ai no Brasil, estou finalizando os trabalhos no hospital de campanha.
Vitória – Que maravilha e como anda as coisas ai?
Carlos – Bem tranquilo! Amor terei que desligar, depois nos falamos.
Vitória – Se cuida hein? Tchau!
Carlos retorna ao hospital de campanha e Vitória fica pensativa na sala da presidência.
CENA 005. HOSPITAL SAN MARINO. ÁREA EXTERNA. DIA/TARDE
Nicolas se aproxima de Rodolfo e ironiza derrota do cirurgião à presidência do Hospital San Marino.
Nicolas – Ser ou não ser, eis a questão! Adorei essa frase de William Shakespeare no TCC de medicina que tu fez e na campanha a presidência. É aquilo né? Nadou para morrer na praia.
Rodolfo – O que tu quer porra? Não enche o meu saco que estou sem paciência hoje.
Nicolas – Olha só que curioso, o maior cirurgião de Santa Catarina renomado no mundo está xingando, nervoso e ainda por cima, fumando faltando duas horas para uma cirurgia. Que belo exemplo. Esse ódio todo é porque a Vitória foi escolhida para ser a presidente?
Rodolfo – Velho o que tu tem haver com isso? Porque não volta a trabalhar?
Nicolas – Eu não tenho nada a ver com isso, aliás, estou passeando porque em horário de almoço. E você se prepare, a nova presidente vai cortar suas regalias brevemente.
Rodolfo enfrenta Nicolas e responde:
Rodolfo – Você acha mesmo que aquela negrinha não vai cortar o seu barato? A partir de agora, os médicos residentes trabalharão dobrado e farão plantões se for preciso.
Nicolas – Eu não temo de fazer plantões, até porque, me formei em medicina para isso mesmo, trabalhar e salvar vidas. Agora você só está no hospital porque sua mãe quis. Toda ala médica sabe que o cirurgião máster comprou diploma e não tem nenhum cacife nem pra segurar um bisturi.
Rodolfo – Você está me chamando de incapaz, moleque?
Nicolas – Eu não preciso te responder isso, basta escutar o que os outros dizem de você que saberá. Ah e antes de se referir à nova presidente, cuidado com as palavras, racismo é crime e se pegarem você no pulo, irão te prender pelo ato condenável e por exercer a função sem nenhuma qualificação no ramo. Com licença.
Nicolas entra no hospital e Rodolfo é abordado por Susana.
Susana – Doutor Rodolfo, a cirurgia está marcado para as seis horas.
Rodolfo – Já preparam o centro cirúrgico?
Susana – Está pronto e fizemos a higienização.
Rodolfo – Perfeito! Espera-me lá dentro, irei te passar as instruções.
Susana – Sim senhor!
Rodolfo joga o maço de cigarro no lixo e entra no hospital.
CENA 006. HOSPITAL SAN MARINO. SALA AMARELA. INTERIOR. DIA/TARDE
Regiane chega à sala amarela e pergunta a Soraia o estado de saúde do paciente:
Regiane – Como está o estado de saúde do paciente?
Soraia – Ele está estável. Logo assim que chegamos tivemos que fazer uma bateria de exames e constatamos entupimento em uma das artérias do coração.
Regiane – Gustavo me disse que o paciente teve convulsão […].
Soraia – Sim, ele teve convulsão e consegui controlar.
Regiane – E a Rebeca? Não era para estar aqui contigo?
Soraia – Eu a afastei da função, infelizmente.
Regiane – Porque fez isso? Ela é uma ótima enfermeira.
Soraia – Ela é uma ótima enfermeira e uma péssima socorrista, acredita que deu morfina para o paciente em vez do Diazepam?
Regiane – Misericórdia! Mas conseguiu limpar o organismo do paciente?
Soraia – Consegui, agora ele será submetido a cirurgia e você foi escalada.
Regiane – Ah então ele era o paciente? Qual é o nome dele
Soraia – Teodoro Benevenuto Braga, ele tem sessenta e cinco anos.
Regiane – Ótimo, vou ali dar uma olhada no Teodoro, pode ficar tranquila.
Soraia – Obrigada, irei autorizar a cirurgia e estarei de volta daqui a pouquinho.
Soraia deixa a sala amarela e Regiane se aproxima de Teodoro que acorda.
Teodoro – Onde estou? O que faço aqui?
Regiane – O senhor teve uma crise convulsiva e está sob orientação médica.
Teodoro – Eu não senti nada, estou bem doutora.
Regiane – O senhor Teodoro não teve alta. Ficará aqui até o estado de saúde se estabilizar cem por cento.
Teodoro – Preciso ir para minha casa doutora.
Regiane – Só irá para casa com autorização médica.
Teodoro conversa com Regiane e os médicos observam.
CENA 007. HOSPITAL SAN MARINO. SALA DOS ENFERMEIROS. INTERIOR. DIA/TARDE
Leandro cobra satisfações à Nicolas e o enfermeiro residente estranha o comportamento do colega de trabalho.
Leandro – Onde você estava? Doutora Soraia estava te procurando.
Nicolas – Eu estava dando uma voltinha e o que Doutora Soraia quer comigo?
Leandro – Ela te escalou para a cirurgia do paciente que teve convulsão. Segundo ela, detectaram uma fissura na artéria do coração.
Nicolas – Mas a Rebeca não tinha sido escalada?
Leandro – Doutora Rebeca foi afastada do cargo. Ela trocou os remédios e deu morfina em vez do Diazepam para o paciente.
Nicolas – Essa doutora Rebeca é desatenta para remédios e ágil quando vê um macho de jaleco. [Ironiza].
Leandro – Nicolas não seja irônico, a situação é séria.
Nicolas – Só quis descontrair. Hein, me encontrei com Rodolfo e ele está muito puto por não ter assumido a presidência do hospital.
Leandro – O que tu fez quando o viu?
Nicolas – Tirei sarro da cara dele e joguei umas verdades na cara.
Leandro – Rapaz não se meta com Rodolfo. Esse ai gosta que fuder com a vida dos outros. Quase que perdi o emprego aqui por causa dele.
Nicolas – Comigo ele não cresce, mas se fizer algo contra mim, eu o denuncio para o Sindicato dos Enfermeiros. Só eu sei que ele comprou diploma para seguir carreira como cirurgião e ganhou prêmios desmerecidamente.
Leandro – É melhor deixa-lo quieto!
Nicolas – A doutora Soraia o escalou para essa cirurgia?
Leandro – Escalou e estará à frente da cirurgia, por quê?
Nicolas – Nada não, só queria saber mesmo.
Leandro – Olha o que tu aprontar. Vou preparar a escala e já volto.
Leandro deixa a sala dos enfermeiros e Nicolas manda mensagem pedindo o afastamento de Rodolfo.
CENA 008. HOSPITAL SAN MARINO. RECEPÇÃO. INTERIOR. DIA/TARDE
Danielle chega à recepção nervosa e Érica atende:
Érica – Boa tarde, o que a senhora deseja?
Danielle – Eu preciso ver o meu pai!
Érica – Qual é o nome do paciente?
Danielle – Teodoro Benevenuto Braga, ele tem sessenta e cinco anos. Aqui estão os dados.
Érica acha o nome de Teodoro no sistema e diz:
Érica – Ele não pode ser atendido agora, foi submetido a uma cirurgia.
Danielle – Cirurgia? O que houve com meu pai e o que fizeram com ele?
Érica – Aqui nos sistema o senhor Teodoro fará uma cirurgia dentro de cinco minutos. A causa não foi informada por segurança do hospital.
Danielle – Essa saúde brasileira é uma merda. Como pode não saber o motivo da cirurgia do meu pai?
Érica – Estou seguindo protocolos das diretrizes do hospital. Essa informação você terá apenas com a doutora responsável pela realização da cirurgia do seu pai.
Danielle – Quem está à frente da cirurgia?
Érica – Doutora Soraia Fontana Valente.
Danielle – Muito obrigada pela informação.
Érica atende outro paciente e Danielle vê os enfermeiros levando Teodoro para o centro cirúrgico e pergunta à Nicolas.
Danielle – O que houve com meu pai, doutor?
Nicolas – Ele teve uma fissura na artéria do coração, mas ele ficará bem.
Danielle se desespera e os enfermeiros entram no centro cirúrgico com Teodoro. Soraia anestesia o senhor e Nicolas higieniza o bisturi. Ao tentar entrar no centro cirúrgico, Rodolfo é barrado por Leandro.
Rodolfo – Ei estou na escala da cirurgia.
Leandro olha para a escala no tablet e diz:
Leandro – Você não foi escalado para a cirurgia. Com licença!
Leandro entra no centro cirúrgico e Rodolfo fica incrédulo. Anestesiado, Nicolas e Soraia iniciam a cirurgia. A câmera se afasta com os enfermeiros operando o senhor de idade.
CENA 009. HOSPITAL SAN MARINO. JARDIM. EXTERIOR. DIA/TARDE
Rodolfo flagra Rebeca sozinha e chorando e o cirurgião se preocupa com a colega de trabalho:
Rodolfo – O que houve Rebeca? E porque está chorando?
Rebeca – Eu fui afastada do meu cargo de enfermeira. Acidentalmente dei morfina para um paciente que estava tendo crise convulsiva.
Rodolfo – Oh Beca, tu deu mole hein? Como dar um remédio pesado para um paciente epilético?
Rebeca – Ele não é epilético e pelo histórico, o paciente já teve outras crises convulsivas e dessa vez, foi radical, não se me medicava regularmente.
Rodolfo – Conseguiu aplicar o Gadernal nele?
Rebeca – A doutora Soraia aplicou nele e me tirou da lista do plantão de hoje.
Rodolfo – Filha da puta! Essa mulher foi promovida para fuder com a gente. Agora a pouco fui barrado de operar esse paciente ai.
Rebeca – Como assim? Você é um dos principais cirurgiões desse hospital.
Rodolfo tira do seu bolso um maço de cigarro acende e diz:
Rodolfo – Pra você ver Rebeca, mas creio eu que tem dedo do Nicolas no meio disso.
Rebeca – Mas o Nicolas é incapaz de fazer isso. Ele não tem poder nenhum aqui dentro.
Rodolfo – Aquele ali é pilantra, não vale nada e me detesta.
Rebeca – Nossa não sabia que vocês tem uma rixa.
Rodolfo – Isso é uma longa história! Quer um cigarro?
Rebeca – Não obrigada. Acabei de chamar um Uber e agora terei que ir pra casa. Tenha uma boa tarde.
Rebeca se levanta do banco e Rodolfo fuma sozinho e no meio do jardim.
CENA 010. HOSPITAL SAN MARINO. SALA DOS ENFERMEIROS. INTERIOR. NOITE.
Algumas horas depois: Nicolas e Soraia comemoram a cirurgia de Teodoro.
Soraia – Conseguimos operar o Teodoro com sucesso. E ai Nicolas, como se sentiu em sua primeira cirurgia?
Nicolas – Senti uma adrenalina e olha que tenho pavor de sangue. Como é incrível o corpo do ser humano.
Soraia – Aliás, tem algo muito mal explicado, porque diabos você pediu o afastamento do Rodolfo da cirurgia?
Nicolas – Ih é uma história muito longa. Ultimamente ele tem desrespeitado os protocolos hospitalares, por isso que pedi o afastamento dele.
Soraia – Espero que esse afastamento não tenha nada a ver por implicância sua com ele.
Nicolas – Nem parece que me conhece, sei separar o profissional e o pessoal.
Soraia – Ótimo e lembrando, você está apenas trabalhando por período de experiência, uma esparrela é olho da rua na certa.
Nicolas – Estou fazendo o possível para ser contratado para o corpo de médicos e reconheço o meu trabalho e dos meus colegas. Já o Rodolfo, não se pode dizer o mesmo.
Soraia – Esqueça o Rodolfo, não vale a pena vocês ficarem brigando em ambiente de trabalho.
Nicolas – Eu estou super de boas. Terei mais algum trabalho hoje?
Soraia – Não, você está dispensado.
Nicolas – Obrigada Soraia, tenha uma boa noite!
Soraia – Boa noite querido!
Nicolas deixa a sala e Rodolfo ouve a conversa e diz:
Rodolfo – Miserável você está me devendo essa.
Rodolfo anda pelo corredor assoviando.
CENA 011. HOSPITAL SAN MARINO. CORREDOR. INTERIOR. NOITE
Soraia aborda Leandro e entrega a escala de trabalho.
Soraia – Leandro aqui está à escala da madrugada. O Rodolfo está suspenso dos trabalhos.
Leandro – Porque Rodolfo foi suspenso do trabalho? O que houve?
Soraia – Ele está descumprindo os protocolos do hospital. Tem chegado atrasado, não tem batido ponto. Essas coisas que nunca foram contabilizados.
Leandro – Ah, mas isso ele fazia sempre aqui e nunca interveio.
Soraia – Agora com a nova gestão, as coisas estão mais rígidas.
Leandro – Essa Vitória pelo visto, vai tirar a paz de muita gente por aqui.
Soraia – E conseguiu tirar a paz do Rodolfo. Falando nisso, você o viu por aqui?
Leandro – Ele passou agora a pouco no corredor dois. Ele estava com uma cara nada agradável.
Soraia – Imagino! Ah amanhã eu estarei aqui, fui transferida para o Anexo Hospitalar da Promed. Lá eles estão treinando cirurgiões para o hospital de campanha na África.
Leandro – Que legal, gostaria de fazer parte desse projeto.
Soraia – Infelizmente você não pode, mas quem sabe não role outra oportunidade.
Leandro – Tomara, enfim, quem ficará no seu lugar?
Soraia – Você ficará no meu lugar e a Regiane irá te cobrir pela madrugada.
Leandro – Beleza vou repassar essa escala para os demais.
Soraia e Leandro se cumprimentam e o enfermeiro esbarra em Regiane.
Leandro – E ai Regiane, se liga hoje você fará plantão.
Regiane – De novo? Já faz duas semanas que saio daqui às seis horas da manhã. Praticamente não tenho vida própria.
Leandro – Amanhã te cubro, pode ficar tranquila.
Regiane – Que ótimo, eu preciso de um descanso. Vou cuidar do senhor Teodoro. Boa noite!
Leandro – Boa noite doutora.
Regiane entra no CTI.
CENA 012. HOSPITAL SAN MARINO. CTI. INTERIOR. NOITE
Após a cirurgia, Teodoro acorda e se depara com Danielle e pergunta:
Teodoro – O que faz aqui filha? Você não deveria estar em Porto Alegre?
Danielle – O meu trabalho resolveu os trabalhos depois de uma crise viral por lá. E o senhor? Porque não tomava os remédios regularmente?
Teodoro – Ah minha filha, estou cansado de tomar esses remédios. Olha pra mim, estou bem.
Danielle – Não está bem não, o senhor acabou de sair de uma cirurgia no coração.
Teodoro – Cirurgia? No coração?
Danielle – O senhor não se lembra de que foi operado?
Teodoro – Não me lembro, agora que estou tomando ciência das coisas. O que houve com meu coração?
Regiane interrompe e responde Téo:
Regiane – Me desculpe a intromissão, mas o senhor teve uma fissura em uma das artérias do coração. Para o sangue bombear melhor, colocamos uma ponte de safena e conseguimos cicatrizar essa pequena fissura. Agora é se cuidar para não ter nenhuma complicação.
Danielle – Muito obrigada doutora por ter salvado a vida do meu pai.
Regiane – Não precisa agradecer senhorita Danielle, não faço mais que minha obrigação. Deixarei vocês dois a sós. Com licença.
Regiane se retira e Teodoro diz a Danielle:
Teodoro – Gostei dessa doutora, muito simpática.
Danielle – Pelo menos nesse hospital tem médicos simpáticos.
Teodoro – Estou doido para ter alta logo.
Danielle – Aquieta o facho homem, você acabou de ser operado.
Teodoro e Danielle conversam e Regiane cuida dos pacientes na UTI com ajuda dos auxiliares.
CENA 013. HOSPITAL SAN MARINO. SALA DOS ENFERMEIROS. INTERIOR. NOITE
Ricardo conversa com Gustavo sobre nova escala.
Ricardo – Soube que mudou toda a escala de plantão?
Gustavo – Soube sim e pelo visto ficarei preso a esse hospital.
Ricardo – Nem reclame, a Regiane está a duas semanas de plantão.
Gustavo – Faz duas semanas que não sei o que é beijar na boca, transar com Regiane. Esse troca-troca de presidente, diretor geral e clínico está cansativo.
Ricardo – Essas mudanças faz parte, o hospital está em crise, ai já viu.
Gustavo – Porra estou há cinco anos nesse hospital e não conseguiram sanar as dívidas?
Ricardo – É foda amigo! Cada gestor que passa, deixa mais dívidas. A Vitória assumiu a presidência hoje, vamos ver como ela liquidar todas essas pendências.
Gustavo – Pelo que soube ela tem uma empresa de assistência médica.
Ricardo – A Promed pode nos ajudar no necessário, mas duvido muito ela querer tirar uma parte da fortuna de lá para pagar as dívidas daqui.
Gustavo – Agora é esperar pra ver. Vai ficar no plantão hoje?
Ricardo – Infelizmente! Eu e a Regiane ficaremos por aqui e você? Vai pra casa?
Gustavo – Sim e infelizmente sem a Regiane. A Amanda está ai ainda?
Ricardo – Foi dispensada mais cedo, mas vou ver o que posso fazer para livrar a Regiane desse plantão.
Gustavo – Valeu brother! Agora vou embora, estou cansadão e preciso dessa noite para dormir.
Ricardo – Vai lá! Tenha uma boa noite.
Gustavo deixa a sala e caminha até a saída. Ao sair da sala amarela, Regiane vê o namorado e lamenta:
Regiane – Como queria eu passar mais tempo com você.
Regiane limpa as lágrimas e retorna a sala amarela.
CENA 14. FAZENDA BRADOVSKI. SALA. INTERIOR. NOITE.
Solana chega em casa com Breno e Miriam pergunta:
Miriam – Finalmente hein? Pensei que iriam morar na casa de Cidinha.
Solana – Estávamos conversando sobre as novas safras de cafés e a modernização da nossa cidade.
Miriam – E o Breno? Comportou-se?
Breno –É claro! Já sou um rapazinho, não tem o porquê não me comportar.
Solana –Muito bem filho! Agora vá para o banheiro que você precisa tomar banho pra dormir cheiroso.
Breno –Pode deixar mãe!
Breno sobe as escadas e Solana sente falta de Renê:
Solana – Cadê o seu pai? Ele não era para estar aqui?
Miriam – Adivinha […].
Solana se desespera e diz:
Solana – Não acredito que ele foi lá.
Miriam – E foi. Sabe lá Deus quando vai voltar pra cá.
Solana – Seu pai é muito teimoso. Se o Nicolas não veio nos visitar mais, é porque ele está trabalhando.
Miriam – Ah mãe, mas não justifica esse sumiço dele né?
Solana – Você não tem por dever definir o certo do errado. Vá dormir porque amanhã iremos acordar cedo para iniciar a colheita de arroz na outra cidade.
Miriam – Como diz aquele ditado, manda quem pode, obedece quem tem juízo. Boa noite.
Miriam segue caminha aos fundos onde encontra o seu quarto e Solana sobe as escadas. Chegando ao quarto, tira a manga do casaco e vê as manchas na pele.
Solana – Espero muito que essas manchas seja apenas reação alérgica aos remédios de ansiedade.
Solana olha para a foto da família unida no porta retrato e abraça.
CENA 015. APARTAMENTO SPARTACUS. CORREDOR. INTERIOR. NOITE
Amanda e Nicolas chegam ao apartamento de mãos dadas e a médica pergunta:
Amanda – Tem alguma programação para essa noite?
Nicolas – Nenhum amor, precisamos descansar. Estamos quatorze horas no hospital e com pouco tempo para relaxar.
Amanda – Nem me fala. Será que irão nos chamar amanhã?
Nicolas – Amanhã é dia de plantão, torça para que não sejamos convocados.
Amanda – Tomara! Amanhã preciso visitar minha mãe e nunca tenho tempo.
Nicolas – Se Deus quiser, você vai conseguir visita-la.
Amanda e Nicolas se beijam e se despedem um do outro. Ao entrar no apartamento e acender a luz, Nicolas toma um susto com Renê.
Nicolas – Pai? O que o senhor faz aqui?
Renê – Vim te visitar já que não se lembra da família.
Nicolas – Sempre me lembro de vocês! E pouco tempo que tenho é para acertar a agenda médica. Não posso para os trabalhos, sou um médico em período de experiência, qualquer vacilo, sou mandado embora.
Renê – Eu lhe entendo, mas tira um tempinho para a família. A sua mãe é mais a mesma depois que você veio morar no centro da cidade.
Nicolas – Como ela está? Como os meus irmãos estão?
Renê – Sua mãe está doente, volta e meia ela se sente mal. A sua irmã não ajuda em nada e o seu irmão sente a sua falta.
Nicolas – Você a levou para algum médico ou especialista?
Renê – Os médicos do campo são muito caros e não tem como paga-los.
Nicolas – E aquela pensão que mando para vocês? Não é suficiente?
Renê – O dinheiro que você nos manda deu para pagar todas as despesas da casa. Agora a sua mãe precisa de você mais do que nunca.
Nicolas – Vou fazer o possível para ir lá à casa de vocês.
Renê – Obrigado meu filho, não sei como te agradecer.
Renê vira as costas e Nicolas diz:
Nicolas – Vai pra onde?
Renê – Vou para um hotel mais barato, só vim aqui para te dar um ok.
Nicolas – Não vai para lugar nenhum. Esse apartamento tem quatro quartos, pode dormir em um deles. Não quero ver você pagando hotel caro.
Renê – Muito obrigado filho. Irei me acolher. Boa noite!
Renê vai para o quarto e Nicolas entra no banheiro e vai ao espelho com olhar de tristeza.
Fim do episódio 01