
ANOS INCRÍVEIS – CAPÍTULO 02
Fevereiro 21, 2023
ESPECIAL DE NATAL: QUERIDO PAPAI NOEL, MATE PARA MIM!
Junho 9, 2023DIAS FELIZES
written by
Neemias Bezerra
CAPÍTULO 1
INT. SORVETERIA DOCE SABOR – TARDE
As duas amigas entram na sorveteria conversando em off. Elas estão sorridentes e escolhem uma mesa perto de uma janela com vista a rua, com movimentação lenta. Elas pedem dois sorvetes e voltam ao assunto.
HELENA
Pelo visto a noite de ontem foi mesmo divertida
MEL
Aí, amiga. Sabe aquele famosinho da cidade? Encontrei ele naquela balada chique.
HELENA
Aquela do sorteio do Insta?
MEL
É, te falei que não era golpe (sorri). Então, amiga. A gente ficou. E ele ficou enlouquecido por mim. (Simula gemido)
HELENA
(Vergonha) Amiga, para! (Coloca a mão na boca de Mel). (Ri) Só você mesmo. Como é o nome dele?
MEL
Diego, menina. Ricaço, lindo e gostoso. Já falei ricaço? (Sorri malicioso)
HELENA
Você não presta, Mel! (Ri)
INT. LOTÉRICA BOA SORTE — TARDE
Naquela manhã, Paulo está na lotérica. Ele é atendido pelo caixa. Ele entrega os vários boletos e se mostra um pouco pensativo.
ATENDENTE
Boa tarde, total a pagar $935 reais.
PAULO
Graças a Deus, consegui economizar este mês! (Fala consigo mesmo, enquanto entrega o dinheiro.
ATENDENTE
Não quer um bolão da mega-sena? Rapaz, tá acumulado em 130 milhões. Não deixa a sorte escapar.
PAULO
Moça, não acredito em sorte.
Naquele momento, ele tem uma sensação estranha e em seus pensamentos vários números vem a tona.
PAULO
Mas acredito em Deus, se for de sua vontade, esse prêmio será meu.
Ele preenche a aposta individual e deixa o local.
INT. CONSTRUTORA TRAJANO / ESCRITÓRIO — TARDE
GAEL
O que é isso? O que está acontecendo? (Surpreso)
AGENTE DA PF (DANIEL)
Aqui está o mandado de busca e apreensão.
GAEL
Sob que alegação? Pode me informar?
AGENTE DA PF (DANIEL)
Desvio de Dinheiro, lavagem de Dinheiro, sonegação de impostos, funcionários fantasmas e vários outros delitos.
GAEL
Acusações infundadas!
(indignado)
AGENTE DA PF (DANIEL)
Maravilha, Sr. Gael. (Sorri levemente) Assim, não teremos nenhuma interrupção por aqui. (Olha para o outro agente) Levem tudo!
Gael fica endurecido no meio do salão da sede da construtora. Ele acompanha, sem se mexer, os agentes levando os computadores e documentos. Seus olhos estão levemente lagrimejados.
INT. RESIDÊNCIA FAMÍLIA TRAJANO — TARDE
Luane está deitada em sua cama, apenas de calcinha e sutiã. Gilda bate na porta, mas não ouve resposta e invade o quarto.
GILDA
Acorda, menina. Já são quase 14h. O almoço está esfriando. Bora!
LUANE
Ah… (bufa) não enche, velhota. Levanto a hora que quiser.
GILDA
Menina, você está pálida, sem se alimentar direito, só curtindo as festinhas e se entupindo de álcool.
LUANE
Me deixa em paz, caveira viva.
Gilda dá dois puxões nos pés de Luane.
GILDA
São ordem de seu pai, não me faça relatar sua desobediência a eles.
LUANE
Que chatice! Já acordei! (se levanta). Satisfeita?
GILDA
Ainda não. Lave esse rosto, vista-se e desça, que vou pôr a mesa para você.
Gilda deixa o quarto e Luane xinga a governanta.
INT. RESIDÊNCIA FAMÍLIA SALLES — TARDE
Diego entra na cozinha com telefone no ouvido, conversando com um amigo. Ele pega uma maçã, morde e se apoia na ilha.
DIEGO
Estou salivando só de pensar naquela garota de ontem a noite. Cara, ela é um violão, gostosa demais. Uma pena que não deu para traçá-la de jeito. Ficamos na rapidinha. Mas marquei com ela na sexta. Não vou perder a oportunidade de aproveitar aquela morena.
LUCAS (OFF)
Vê se ela tem alguma amiga para mim, não seja egoísta. (ri)
DIEGO
Se ela tiver e for igual a ela, gostosinha, vou comê-la também. Comigo não rola essa de dividir com os manos. (ri maliciosamente)
LUCAS (OFF)
Que filho da puta egoísta.
Eles riem e a conversa continua.
INT. CASA DE PAULO — SÃO PAULO — NOITE
Paulo está assistindo TV, esperando o sorteio da Mega-Sena. Com o papel na mão com os seis números. Enquanto não começa, ele faz uma oração.
PAULO
Sei que não sou merecedor de suas bençãos, senhor Deus. Mas meus pais precisam de tratamento, me ajude com este milagre. Serei seu servo fiel! Faço este voto. Amém!
O sorteio começa e os números vão sendo chamados. 23 – 50 – 42 – 13 – 33 – 54…
PAULO
MEU DEUS! NÃO ACREDITO! DEUS! (GRITA)
Paulo confere mais uma vez, repete. Ele não está acreditando.
PAULO
Ganhei! Ganhei!
Paulo cai de joelho e chora descontroladamente.
INT. CASA DE PAULO — SÃO PAULO — NOITE
Paulo está chorando descontroladamente. Josefa, sua mãe, chega na Sala De Estar e se assusta.
JOSEFA
O que aconteceu, meu filho?! Se levanta, Paulo! (assustada)
PAULO
Mãe! Mãe! Pai! Pai! Estou rico! Estamos ricos, R-I-C-O-S! (grita)
JOSEFA
Como é que é? Não estou entendo. Se acalme e fale novamente, filho.
Paulo respira fundo e repete sua fala. Josefa cai no chão e agradece a Deus. Felipe, pai e marido de Josefa, chega e confere o bilhete da loteria. Ele respira fundo e pede calma ao filho.
FELIPE
Filho fale mais baixo. Você sabe que as paredes têm ouvido. Todo cuidado é pouco. Não podemos deixar a emoção tirar nossa razão.
PAULO ABRAÇA O PAI.
PAULO
Chega de preocupação com nossas contas, com nossos boletos e com nossa saúde. Finalmente nosso sofrimento vai acabar! (ele continua choroso)
OS TRÊS SE ABRAÇAM.
INT. RESIDÊNCIA FAMÍLIA TRAJANO — NOITE
GAEL
Tá pensando que você vai a algum lugar? Sente-se agora! (Agressivo)
LUANE
Qual é? Quer bancar o pai preocupado, agora? Relaxa aí! (Irritada)
GAEL
Onde esteve o dia inteiro?
GILDA
(Interrompe Luane) dormindo, o que faz de melhor.
LUANE
Não enche, piranha velha.
GAEL
Então, você não está sabendo?
LUANE
De que? Para de suspense e desembucha logo. (Revira os olhos)
GAEL
O ministério público abriu um inquérito contra a Construtora Trajano. As nossas contas bancárias estão todas bloqueadas, estamos sem dinheiro.
LUANE
Que merda é essa? Me diz que isso é brincadeira, pai. Por favor (nervosa)
Gael entrega um tablet pra Luane com as manchetes nós principais jornais do país. Luane fixa no tablet e se senta perplexa surpreendida.
ALGUNS DIAS DEPOIS…
INT. BALADA LAGUNA — NOITE
Mel e Helena estão animadas para a balada. Era a primeira vez que Helena estava indo em uma festinha noturna.
MEL
Aí, amiga! Tô tão animada! Segunda vez que tô indo pra balada chique. Ainda mais, sem pagar nada! (Ri)
HELENA
Nem balada de pobre, eu fui. Acho que tô mais nervosa que animada.
MEL
Você é careta demais, que bom que te convenci a vir. Miga, tu vai se divertir demais, confia na mamãe aqui. (Sorri)
HELENA
Conhecendo você, não sei se confio não (ri).
Mel encontra Diego na porta e acena.
MEL
Gatinho!
DIEGO
Miau! (Beija-a) (olha Helena) Prazer, Diego! E quem é você? (Pegando nas mãos de Helena).
HELENA
(Puxa a mão) Helena, melhor amiga de Mel, então, cuidado, hein. Se mexer com ela, tá mexendo comigo. (Olhar endurecido)
MEL
Aí,como eu amo. Obrigada amiga. Bora se divertir!
DIEGO
Meu amigo está quase chegando, ele vai nos encontrar no balcão, e já faz companhia para senhorita. (Olha pra Helena e dá uma piscadela)
Os três entram. Eles pedem três bebidas e conversam. Logo, Lucas chega no local e se junta ao grupo.
INT. BALADA LAGUNA — NOITE
Diego e Mel somem da vista de Helena e Lucas. Lucas puxa assunto com Helena.
LUCAS
O que você faz da vida?
HELENA
Direitos fiscais. Chatinha dos números.
LUCAS
Não, é legal. Muito inteligente.
HELENA
Cdf, na verdade. Não precisamos fingir que é um trabalho legal, eu sei.
LUCAS
(Sorri) você me pegou. Mas o importante é trabalhar.
HELENA
E você faz o que?
LUCAS
Por incrível que pareça, faço contabilidade. É uma empresa bem famosa, por sinal. (Pausa) não é querendo me gabar não. (Sorri)
Eles sorriem e a conversa continua. Mais duas bebidas chegam.
HELENA
Então, o que um Cdf faz por aqui na balada?
LUCAS
Ah, sou um nerd moderno, que ama fazer social e curtir umas festinhas. Mas e você, uma menina tão inteligente, o que faria por aqui?
HELENA
Ah, não sou tão moderna como você não. Vir aqui pra ficar de olho na minha amiga.
LUCAS
E então… Posso te falar uma péssima notícia? (sorri) Sua missão falhou. (Aponta para várias direções) Mel sumiu. Acho que Diego levou para um lugar mais reservado, se é que você me entende.
Helena olha pra todas as direções e lamenta.
HELENA
Assumo, sou uma péssima amiga.
LUCAS
Já que o destino nos trouxe aqui, vamos aproveitar. (Pede mais duas bebidas)
Helena e Lucas continuam curtindo a balada. Ele a chama para dançar. Ela aceita. Aos poucos, os dois vão se soltando durante a balada.
HELENA
Eu não sou assim normalmente, mas foda-se. Desculpa! (Sorri, e morde os lábios)
LUCAS
Porra, quem sou eu pra julgar (ri)
Os dois se aproximam e se beijam lentamente. O som alto da balada é silenciado e por alguns minutos, tudo parece parar de existir. Os dois continuam o beijo caloroso. Aos poucos, tudo vai escurecendo. Em silêncio absoluto, tudo fica preto. Após um tempo na escuridão, Helena abre os olhos lentamente, bastante sonolenta. Ela tenta olhar ao redor e tudo está escuro, aos poucos sua visão vai s captando a pouca luz. Flash de imagens desconexas vem a sua mente. Ela vê um rosto embaçado, fazendo movimentos estranhos. Novamente, Helena olha ao redor, e vê Lucas e Diego. Ela se olha, e percebe que suas roupas estão abaixadas. Ela apaga novamente.
Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com nomes, pessoas, factos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
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