
ESPECIAL DE NATAL: QUERIDO PAPAI NOEL, MATE PARA MIM!
Junho 9, 2023DIAS FELIZES – CAPÍTULO 2
Junho 13, 2023A FOFOQUEIRA DE FLORIPA
Florianópolis, a capital do estado de Santa Catarina, ilha da magia. Cercada pelo mar e por mais de 42 praias, com mais de 500 mil habitantes, é um lugar repleto de belas mulheres, e é neste cenário que se passa essa história.
*Cena 01. Spa. Interior. Dia.*
Helena e Flávia estão batendo um papo, ou melhor, fofocando enquanto recebem massagem no Spa. Flávia segura uma taça de champanhe.
HELENA – Ele vai largar a mulher. Isso já tá na boca do povo.
FLÁVIA – Será que não é intriga dessa gente?
HELENA – O povo aumenta mas não inventa, né. E homens como esse já nascem infiéis, tá no DNA.
FLÁVIA – E eu que tinha inveja do casamento deles.
HELENA – Agora tu vai ter pena, né.
FLÁVIA – Adoro ter pena de quem eu tenho inveja.
HELENA – Quem ela pensa que é pra ser mais feliz do que a gente?
FLÁVIA – Se eu soubesse que tinha algo de podre nesse casamento, eu bem tinha me candidatado à vaga de amante.
Tu conhece a dita cuja?
HELENA – Olha, dizem que é como todas as amantes né, mais nova, mais bonita e mais assanhada.
FLÁVIA – Mais nova e mais bonita eu não me garanto, mas mais assanhada acho que eu saio na frente.
As duas riem.
HELENA – Ah, e dizem também que a tal de amante é uma alpinista social emergente, que vai dar um golpe do baú no sujeito.
FLÁVIA – Golpe de sorte, isso sim, que aquele Rodrigo é um príncipe.
HELENA – Príncipe não meu amor, rei. Rodrigo Prates é o rei dos móveis.
Rita estava ao lado, e quando ouve o nome de Rodrigo, se levanta rapidamente e vai enrolada na toalha em direção às duas. Soraia, sua amiga, vai logo atrás. Rita confronta Helena.
RITA – Ei guria! Tu me conhece?
HELENA – Eu acho que não. Helena Soares, muito prazer.
FLÁVIA – Oi, eu sou a Flávia. Flávia Veiga.
RITA – Rita, Rita Prates, a rainha dos móveis. – As duas arregalam os olhos. – E essa é Soraia, amiga da rainha.
SORAIA – Muito prazer.
RITA – Agora que já fomos devidamente apresentadas, dá pra falar quem foi que inventou essa fofoca do meu marido?
*Continuação da cena anterior*
HELENA – Não queridinha, eu não fiz fofoca, eu só comentei aquilo que eu ouvi.
RITA – Ah, ouviu? Então se ouviu, também viu a boca de quem falou. Vai desembucha! Fala logo!
HELENA – Além de fofoqueira, tu tá me chamando de dedo duro, é?
SORAIA – Rita, com licença, eu vou indo.
RITA – Fica Soraia!
FLÁVIA – Que desnecessário esse clima, gente. Vamos fazer uma sauninha, Helena.
Flávia vai saindo.
RITA – Segura a magrela, Soraia!
Soraia prontamente obedece. Rita segue cara a cara com Helena.
RITA – Tá, fui grossa né? – Respira fundo. – Por gentileza, queridinha, dá pra tu falar quem é que inventou essa fofoca do meu marido?
HELENA – Foi a Zélia da limpeza que comentou com a Íris da manutenção.
FLÁVIA – Mas olha Rita, essa gente adora uma intriga. Se eu fosse tu, não levaria a sério.
RITA – Mas tu, não sou eu. E eu já levei a sério. Me leva até essa tal de Zélia agora. – Diz ela para Helena.
SORAIA – Bom Rita, eu já vou indo. Depois tu me liga pra dizer como foi, tá.
RITA – Soraia, tu vai comigo. Bora guria!
Todas saem.
*Cena 02. Apartamento de Rodrigo. Interior. Dia.*
Enquanto isso, as empregadas de Rodrigo estão limpando o apartamento, e a fofoca segue correndo solta.
ROGÉRIA – Tá certo! Um homem como o doutor Rodrigo não tem só o direito de ter mais de uma mulher, tem o dever.
DOROTÉIA – Se ele largar a dona Rita, qual de nós duas será que ele leva pra ele?
Enquanto ela fala, Rodrigo entra no apartamento e ouve a conversa.
RODRIGO – Levo as duas comigo. – Elas se assustam. – Dona Rita já chegou?
ROGÉRIA E DOROTÉIA – Não, senhor.
RODRIGO – Ótimo! Podem continuar a limpeza. E falem bem ou mal, mas falem de mim, tá.
Ele sai rindo.
*Cena 03. Banheiro do spa. Interior. Dia*
Todas as mulheres chegam juntas para tirar a história a limpo com Zélia e Íris.
RITA – Quem é Zélia?
ZÉLIA – Sou eu. Por quê?
RITA – Tu conhece Rodrigo Prates, o rei dos móveis?
ZÉLIA – De vista.
ÍRIS – De vista e de revista né. Um pedaço de mau caminho. Aliás, mau caminho é aquele beco que eu tenho lá em casa. Doutor Rodrigo é uma rodovia asfaltada, com passarela e tudo.
RITA – Olha aqui, aquela senhora ali – aponta para Helena – disse que tu falou, que essa rodovia asfaltada vai largar da mulher. É verdade?
ZÉLIA – Meu Deus, depois dizem que fofoca é coisa de pobre. Olha dona…
RITA – Dona Rita, Rita Prates – As duas arregalam os olhos – que segundo a sua história, vai ser largada por uma mulherzinha que é o que mesmo?
HELENA, FLÁVIA E SORAIA – Alpinista social.
ZÉLIA – Dona Rita, a senhora me perdoe, mas eu só comentei com a Íris, porque me corta o coração pensar que um homem como o doutor Rodrigo, caiu no golpe da barriga.
Rita quase desmaia e cai sentada.
RITA – Da barriga? Mas não era do baú?
ÍRIS – Eu acho que uma coisa não exclui a outra. Mas… foi o Valmir que te contou, não foi, Zélia?
*Cena 04. Estacionamento do spa. Exterior. Dia.*
Rita vê a Kombi do seu Valmir das verduras, e já se joga na frente mandando parar.
RITA – Parou! Entra aí todo mundo!
Todas, menos Zélia e Íris, entram na Kombi.
VALMIR – Peraí! Eu acho que as senhoras pegaram o carro errado, hein.
RITA – Não, nada disso. A Zélia me contou tudo.
VALMIR – A senhora poderia ser mais específica, por obséquio. Porque a Zélia sempre conta tudo.
ZÉLIA – Tu tá me chamando de fofoqueira, Valmir?
VALMIR – Fofoqueira não, comunicativa.
RITA – Que história é essa de golpe da barriga, seu Valmir?
ZÉLIA – Ela tá falando do doutor Rodrigo, o rei dos móveis.
RITA – O Rodrigo Prates.
VALMIR – Não, esse negócio de golpe da barriga eu não sei não. Quem me falou, foi o Éder, motorista do doutor Alberto Galeno, que a senhora estava com os dias contados, porque o doutor Rodrigo arrumou uma emergente que vai dar o golpe do baú na senhora. Do baú!
RITA – Ai gente, o Alberto, marido da Lili Galeno.
HELENA – Quem é essa gente?
SORAIA – Lili Galeno? Uma cobra. E se diz amiga da Rita.
FLÁVIA – Por isso que eu não faço amizade com mulher. Ô raça!
Soraia e Helena olham estranho para Flávia.
VALMIR – Satisfeita, Zélia? Satisfeita?!
Zélia começa a chorar.
RITA – Tu vai me levar até o Éder agora!
VALMIR – Agora eu não posso minha senhora, senão eu vou perder meu emprego.
RITA – Agora tu pode sim! Se não, quem vai fazer tu perder o emprego sou eu, tá.
Rita assume o volante, põe o cinto e dá a partida. Valmir entra correndo e senta ao lado.
*Cena 05. Kombi de Valmir. Interior. Dia.*
VALMIR – Dona Rita por obséquio, hoje não é um bom dia pra gente conversar com o Éder.
RITA – E quem disse que eu quero conversar com ele? Eu quero respostas!
Ela dirige com pressa, fazendo a Kombi balançar bastante.
VALMIR – Mas ele mora lá no Rio Vermelho.
RITA – E é longe?
FLÁVIA – Praticamente outro país.
SORAIA – Gente, esse carro é blindado?
HELENA – Me deixa em casa, pelo amor de Deus!
*Cena 06. Casa de Éder. Interior. Dia.*
A casa está cheia, e as pessoas estão vestidas de preto. Tem um velório acontecendo. Éder está chorando ao lado do caixão.
RITA – É o velório da mãe do Éder.
VALMIR – Batizado é que não é, né.
RITA – Por que tu não me falou que ela tinha morrido, hein?
VALMIR – Porque eu não sabia que ela tinha morrido, eu sabia que ela ia morrer.
RITA – E será que eu vou ter coragem de falar?
VALMIR – Ai, dona Rita, por obséquio, desiste disso, vamos embora.
RITA – Não saio daqui nem morta.
Nessa hora, Rita nem percebeu o peso daquela frase.
Rita vai até Éder para cumprimentá-lo.
RITA – Meus sentimentos, seu Éder.
ÉDER – Ô dona Rita, não precisava se incomodar, ter vindo de tão longe. Ainda trouxe as amigas.
Éder abraça cada uma com a força de um rinoceronte. Todos se aproximam do caixão.
ÉDER – Olha dona Rita, morreu dormindo. Parece até um passarinho né. Obrigado por ter vindo, dona Rita.
RITA – Ah seu Éder, não precisa agradecer não. Eu tenho certeza que se eu precisar o senhor vai poder me ajudar, não vai?
ÉDER – Claro, pode contar comigo dona Rita.
RITA – Falando nisso seu Éder, além do nosso abraço que a gente trouxe pro senhor, num lugar assim tão longe né, eu também vim assim… fazer uma pergunta, se o senhor sabe por acaso…
Enquanto ela fala, todos começam a cantar uma música triste, e Éder começa a chorar como uma criança.
RITA – É que eu queria saber, seu Éder…
A cantoria aumenta, e Rita não consegue mais falar. Todos dão as mãos e continuam a cantar. Enquanto isso, Valmir aproveita para beliscar umas empadas servidas na mesa.
*Continuação da cena anterior*
Minutos depois, Rita novamente tenta conversar com Éder, sentada ao seu lado num sofá.
ÉDER – O que pode ser pior do que perder a própria mãe, dona Rita?
RITA – Ser abandonada pelo marido… Falando nisso, seu Éder, o senhor por acaso sabe…
Rita novamente é interrompida pelos gritos de Soraia.
SORAIA – Olha, quem viu, viu, quem não viu, não vê mais, vão fechar o caixão!
Éder volta a chorar. Todos começam a caminhar, seguindo o cortejo do caixão. Rita queria dar um jeito de fazer Éder parar de chorar, pra ela enfim poder falar.
RITA – Seu Éder, o senhor sabia, que se a alma ver alguém sofrendo por ela, chorando muito, ela não consegue fazer a passagem?
ÉDER – Que passagem dona Rita, que passagem?
RITA – A passagem pro paraíso, seu Éder. O senhor não vai querer que sua mãezinha fique por aqui, e vire uma alma penada né?
ÉDER – Credo, Deus que me livre, dona Rita.
RITA – Então seu Éder, desembucha vai. Fala logo, que eu não tô mais me aguentando. Que história é essa que meu marido vai me deixar?
*Cena 07. Kombi de Valmir. Interior. Dia.*
Rita novamente está dirigindo a Kombi, muito nervosa.
RITA – A própria Lili, que se diz minha amiga, que falou pro Éder!
HELENA – Bem que a Soraia falou que essa Lili não presta.
SORAIA – Uma pessoa que conversa com serviçais, vai entender.
FLÁVIA – Eu bem que beberia uma coisinha agora.
O semáforo fica vermelho e Rita freia bruscamente. Na avenida, passa um rapaz vendendo aperitivos e bebidas. Flávia logo abre a porta da Kombi e grita.
FLÁVIA – O senhor tem prosecco?
Corta para Flávia entrando na Kombi com tudo o que o vendedor tinha. O isopor com cervejas, amendoim, paçoca e biscoitos. Enquanto isso, Rita tenta falar com Rodrigo pelo celular, mas ele não atende.
*Cena 08. Apartamento de Rodrigo. Interior. Dia.*
Rodrigo aparece com duas malas prontas. As empregadas estão na sala.
RODRIGO – Que coisa! A Rita não para de me ligar. Olha só Dorotéia, se ela te ligar tu não atende, que eu não falei com ela ainda.
*Cena 09. Kombi de Valmir. Interior. Dia.*
Depois de alguns quilômetros rodados, Flávia já bebeu umas latas de cerveja, e o álcool começou a fazer efeito.
RITA – Não acredito! Tá na caixa postal! Claro né, ele deve tá com essa vagabundaaa!
HELENA – Escuta Rita, pensa no lado bom, tu é a rainha dos móveis, vai ficar com a metade da mobília.
SORAIA – Cala essa boca, que eles não são casados oficialmente.
FLÁVIA – Calma, calma querida, vai que isso é tudo fofoca. – Flávia cai na gargalhada sozinha. – É muito boa essa palavra né, FO FO CA.
SORAIA – Isso Rita, quem sabe isso não foi invenção da Lili.
HELENA – Exatamente, não tem aquele ditado que diz: o povo aumenta mas… como é mesmo?
SORAIA – Fecha essa boca!
RITA – Eu sei, aumenta mas não inventa.
Rita cai no choro em cima do volante e a Kombi sai desgovernada. Valmir rapidamente assume a direção para evitar o pior.
*Cena 10. Rua de Lili. Exterior. Dia.*
Todos chegam ao destino, empurrando a Kombi. Em frente a casa dos Galeno, há um caminhão parado, com homens colocando móveis para dentro.
RITA – Não acredito que a Lili vai se mudar sem me falar nada!
SORAIA – E eu não acredito que tu ainda não acredita que essa Lili não presta.
Rita prontamente se dirige a um dos homens que está no portão da casa.
RITA – Por favor, o senhor pode chamar a Dona Lili? Diz pra ela que é Rita Prates.
HOMEM – Dona Lili tá no banheiro.
SORAIA – E o doutor Alberto?
HOMEM – Quem é doutor Alberto?
HELENA – Marido dela.
HOMEM – Também tá no banheiro.
RITA – Então chama a Marluce, vai!
HOMEM – A empregada?
RITA – É.
HOMEM – Também tá no banheiro.
Nesse instante Flávia se irrita e vai entrando.
FLÁVIA – Eu vou entrar de qualquer jeito, que eu tô apertada.
HOMEM – Mas o banheiro tá ocupado! – Diz o homem correndo atrás dela.
FLÁVIA – Larga de ser boca aberta que essa casa tem uns cinquenta e três banheiros, fora os lavabos.
Lá dentro, eles encontram mais quatro homens, mal encarados.
*Continuação da cena anterior*
Soraia toma frente e questiona a um dos homens:
SORAIA – Por acaso tu tens o cartão da empresa de mudança?
O homem faz sinal negativo com a cabeça.
HELENA – Vocês não trabalham pra uma transportadora?
Outro homem faz sinal negativo com a cabeça.
VALMIR – Espera aí, então isso aqui não é uma mudança.
FLÁVIA – Nesse caso, eu não vou conseguir ir ao banheiro né.
Outro homem faz sinal negativo com a cabeça.
RITA – Então, isso é um assalto?
Todos os homens fazem sinal positivo com a cabeça e sacam as armas, apontando em direção a eles. Todos gritam.
*Cena 11. Banheiro. Casa de Lili. Interior. Dia.*
Rita, Soraia, Flávia, Helena, Lili, Alberto, e mais três empregadas, todos estão presos num banheiro apertado.
SORAIA – Com tantos banheiros nessa casa, ele fez questão de nos prender no menor.
LILI – Esses ladrões não tem um pingo de consideração com o ser humano.
FLÁVIA – Vamos racionar os alimentos, tá. – Diz ela com o isopor de produtos que comprou de um ambulante na rua. – Vai ser um pacotinho de amendoim para cada um no almoço, e uma paçoca no jantar. Assim a gente vai garantir mais ou menos aí umas quarenta e oito horas né.
RITA – O Rodrigo deve estar preocupado contigo né, Alberto?
ALBERTO – Comigo? Por quê?
RITA – Tu não ia jogar tênis com ele?
ALBERTO – Isso é coisa de fresco!
RITA – Ah, então vocês inventaram essa historinha pra ficar encobrindo a amante dele, né?
ALBERTO – Amante coisa nenhuma. Eu tenho até roupa de jogar tênis, aquela bermuda.
LILI – Até parece, Alberto. Tu nem sabe jogar tênis.
Rita olha com fúria para Alberto.
FLÁVIA – Há algo de podre no ar.
Todos começam a cobrir o nariz por causa do mau cheiro.
MARLUCE – Aí gente, tô mal.
FLÁVIA – Mal não guria, tu tá é podre.
VALMIR – E bota podre nisso.
Soraia então pega um vidro de perfume da pia e espirra no ar.
LILI – Não faz isso, que o Alberto é alérgico a perfume nacional!
Alberto começa a ficar ofegante.
Rita, mesmo naquele caos, quis tirar satisfação com Lili.
RITA – Você sabia que o Rodrigo ia me deixar, né?
LILI – Desculpa não te contar, mas eu só soube ontem pela Marluce.
Enquanto Lili pede para Alberto respirar, Rita vai em direção à empregada, que naquele momento já está sentada em cima do vaso sanitário.
MARLUCE – Eu preciso ir ao banheiro. – Diz ela, agoniada.
FLÁVIA – Tu já tá no banheiro, querida.
ALBERTO – Sim, mas não pense nisso, viu. Esquece. Te concentra em outra coisa.
RITA – Te concentra em me dizer, quem é que falou que o Rodrigo vai me deixar, vai!
MARLUCE – Tenha piedade de mim, eu tô morrendo. – Ela continua agoniada.
RITA – Vira essa boca pra lá! Tu não pode morrer, sem antes me dizer quem te falou que meu marido vai me deixar. Vai, fala!
Enquanto se contorce, Marluce tenta dizer algo.
MARLUCE – Foi o… Foi o… Foi…
E então ela desmaia.
*Continuação da cena anterior*
ALBERTO – Morreu?
Flávia se aproxima para ouvir o coração.
FLÁVIA – Tá viva.
Nesse momento a empregada solta o que estava segurando há muito tempo. No desespero, todos fazem força, arrombam a porta do banheiro, e correm para a sala. Lili sente falta de um quadro na parede.
LILI – Amor, eles levaram o nosso Picasso!
ALBERTO – Fica tranquila, meu amor. O importante é que estamos vivos e com saúde.
Flávia e Helena se jogam no chão, exaustas. Rita aparece chorando.
RITA – Era por isso então que o Rodrigo queria falar comigo de noite.
ALBERTO – Pra que tanta frescura? Vai ver é tudo um mal entendido.
Soraia então vai confortar a amiga.
SORAIA – Tu veio do nada. Tu saiu do interior com uma mão na frente e outra atrás.
LILI – Continua boca aberta, tu tá indo bem demais.
SORAIA – Tu é uma vencedora. Tu veio morar na cidade que sempre quis morar, num apartamento dos teus sonhos, e que agora é todo teu.
ALBERTO – Opa! Metade teu né.
Rita volta a chorar.
FLÁVIA – Escuta, ergue essa tua cabeça mulher! Enfrenta o Rodrigo como a rainha que tu sempre foi.
Rita só parou de chorar quando sentiu duas pulgas pinicando atrás da orelha dela, a curiosidade e a vingança.
RITA – Eu vou atrás da Rogéria, e vou descobrir quem é essa biscate que quer roubar o meu Rodrigo. E vocês vão comigo. Eu vou ao banheiro pegar as nossas coisas.
HELENA – Em nome de Jesus, me deixa em casa!
*Cena 12. Apartamento de Rodrigo. Interior. Dia.*
A boa fofoca a sua própria casa volta. No apartamento, além de Rita e as faxineiras, estão Soraia, Flávia, Helena e Lili.
RITA – Que história é essa hein, Rogéria?! E eu que achava que podia confiar em ti, guria.
DOROTÉIA – Eu disse que a mão de vaca ia perceber que tu tá usando o perfume dela.
Rogéria fica assustada, sem entender.
RITA – Fala o nome da mulher, Rogéria. Fala o nome dessa vaca!
DOROTÉIA – Dona Rita, não tem comida pra todo mundo jantar não.
HELENA – Olha, uma saladinha pra mim tá bom.
FLÁVIA – E não tem prosecco?
ROGÉRIA – Mas que mulher, hein, dona Rita?
LILI – A tal maravilhosa que roubou o Rodrigo da Rita!
SORAIA – Cala essa boca, jararaca, peçonhenta.
RITA – Fala logo, Rogéria. Não disfarça. A Marluce disse, que tu disse pra ela, que o Rodrigo vai me deixar pra ficar com uma emergente que quer dar o tal do golpe no baú nele.
HELENA – Desembucha Rogéria, que essa história atacou até meu ciático.
ROGÉRIA – É a Dorotéia que sabe de tudo. – Diz ela chorando.
DOROTÉIA – Dedo duro!
RITA – Dorotéia! Ou o nome dessa mulher, ou a porta da rua. Escolhe!
DOROTÉIA – Tá bom, eu vou explicar. A dona Rita, falou ontem pelo telefone com a dona Soraia, que o doutor Rodrigo exigiu o divórcio, pra ficar com uma vaca emergente que só quer dar o golpe do baú nele.
FLÁVIA – Olha, eu bebi muito, ou foi a própria Rita que inventou essa baita fofoca?
HELENA – As duas coisas.
RITA – Ai que ódio Dorotéia! Olha bem pra mim, presta atenção. A dona Rita aqui, falou no telefone com a dona Soraia, tá, que o doutor Rodrigo tava exigindo o divórcio da ex-mulher dele, que disse que eu sou uma emergente que quero dar o golpe do baú nele. Tu trocou tudo!
Nessa hora, já estava todo mundo chamando urubu de meu louro.
FLÁVIA – Escuta, Lili. Qual vaca que vai ficar com qual vaca, que eu já me perdi?
LILI – Infelizmente a vaca foi pro brejo.
SORAIA – Eu não acredito que eu perdi minha drenagem linfática por causa disso.
HELENA – Olha, eu vou embora antes que me dê uma gangrena nas pernas.
Nesse momento, Rodrigo entra no apartamento, enquanto Rita está falando sem lhe ver atrás dela.
RITA – Olha só, aquela vaca da ex-mulher dele, vivia dizendo pra ele que ele não podia se casar comigo, que eu era uma baita golpista, que já tinha saído com uma penca de homens, uma quantidade que ela não sairia em um ano. Que bruxa, né!
RODRIGO – Pelo amor de Deus, quantos homens foram? – Diz ele, interrompendo a fala dela.
HELENA – Eu acho que vou ficar mais um pouquinho, né. – Diz ela com um sorriso maléfico.
*Continuação da cena anterior*
Rita abraça o marido.
RITA – Que bom que tu chegou, meu amor. Imagina né, não vai acreditar nessa gente, tu sabe que esse povo aumenta, ainda mais tua mulher que me odeia, né Rodrigo.
RODRIGO – Esse povo aumenta, mas não inventa né. Boa noite. – Ele cumprimenta as demais que estão no apartamento. – Bom, se as senhoras não se incomodarem, eu gostaria de ficar um momento a sós com a Rita.
Todas saem em fila, acenando para Rita.
RITA – Amor, tu não acreditou né. – Diz ela preocupada.
RODRIGO – É claro que não. E eu não sei que aquela víbora, diferente de ti, adora uma fofoca?
Rita sorri e se senta no sofá.
RITA – O que tu queria me falar hein?
RODRIGO – Eu queria te fazer uma proposta. – Ele se ajoelha na frente dela. Quer ser minha legítima esposa?
RITA – Legítima?
RODRIGO – Aham. A Magali finalmente assinou o divórcio. Já arrumei tuas malas. Vai te arrumar, que nós vamos para a nossa lua de mel.
Os dois se beijam, mas Rita logo sai em direção a porta do apartamento e grita para suas companheiras de aventura que estavam no corredor.
RITA – Ei, gurias! Adivinha com quem eu vou me casar!
*FIM!*